Sarbox é a culpada pela crise nos EUA?

Em um momento em que os debates sobre a recessão norte-americana tomam boa parte do noticiário mundial, uma notícia se destaca especialmente no que diz respeito a governança. Robert Gottliebsen, comentarista da publicação “Business Spectator”, publicou um artigo nesta quarta-feira (30/01) dizendo que um dos principais contribuintes para o cenário de perdas que tem se revelado há semanas é justamente a lei fiscal norte-americana Sarbanes-Oxley.

Gottliebsen argumenta que muitos executivos não deram a atenção devida aos problemas e as possíveis perdas financeiras justamente porque precisavam dedicar mais de seu tempo a resolver questões de governança.

“Eu argumentaria que um contribuinte para as perdas em subprime foi a criação da louca lei Sarbanes-Oxley e as regulamentações relacionadas, que foram impostas em 2002. Tão estúpida é a lei norte-americana que está forçando o capital financeiro a mudar de Nova York para Londres, onde as regras são mais realistas”, diz no artigo.

O comentarista vai além: diz que claramente o país precisa de regulamentações para as companhias, mas tem ido longe demais. “Os valores mobiliários subprime eram tão obviamente prováveis para perder dinheiro que você pensaria que os diretores teriam levantado a bandeira de alerta. Mas muitos deles estavam tão mortos mentalmente com questões inúteis de governança que não consideraram as questões realmente importantes”.

O artigo de Gottliebsen ao mesmo tempo em que traz reflexões sensatas sobre o exagero das restrições da Sarbox esbarra em na discussão apaixonada e sem conclusão provável sobre qual o conjunto de fatores que levam à crise. Existem várias questões a serem levantadas e, de fato, o excesso de rigidez da lei pode ter tornado as operações mais difíceis para as empresas de capital aberto. Mas apesar de ser dura, a Sarbanes indica procedimentos de transparência que deviam sim já fazer parte do cotidiano das empresas. Passaram-se cinco anos, quase seis, desde a criação do texto para que se pudesse entender, interpretar e aplicar suas exigências.  Agora, culpá-la por “tomar muita atenção” dos altos executivos e dizer que “por isso eles não tiveram tempo de alertar para o cenário adiante” não seria se escorar em um bode expiatório esguio demais?

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