Governança de TI: exigindo o (quase) inexigível

O “National Computing Centre”, grupo britânico independente destinado a debater questões relacionadas s tecnologia, publicou nesta semana um artigo de Alan Calder, autor do livro “Governança de TI: um guia gerencial para informação e segurança e BS7799/ISO 1799”. No texto, o executivo dá dicas para implementar com sucesso questões relacionadas a governança de TI.

O curioso é que boa parte das dicas dadas pelo “especialista” aponta questões simplistas quase como “receita de bolo” para implantação da governança, o que seria, ao menos na minha modesta opinião, o primeiro passo para o erro. Empresas são diferentes em suas organizações, conceitos, departamentos de TI o que significa que diferentes nuances devem ser dadas ao processo de governança. Ao mesmo tempo, certas dessas dicas – como vocês, leitores, poderão ler abaixo têm beirado praticamente o impossível por erros do próprio departamento de TI. Olhe só:

1-) Compartilhe um conhecimento claro sobre o que é governança de TI – a dica até é bem intencionada, mas o que eu gostaria de perguntar pessoalmente ao Sr. Alan Calder é o que é um “conhecimento claro” sobre governança de TI? Até mesmo conceitos mais palpáveis são difíceis de serem compartilhados, quem dirá esses aspectos praticamente intangíveis da governança. Se eu estivesse treinando uma equipe sobre o assunto, preferiria explicar usando exemplos práticos de como ela pode ser compreendida, estudos de caso, entrevistas com quem implantou. Caso contrário, criamos apenas papagaios repetidores da definição de governança, e não uma equipe capaz de realmente aproveitar seus benefícios.

2-) Faça o conselho entender que governança de TI é responsabilidade dele – valem várias ressalvas por aqui. Antes de levar ao conselho a noção de responsabilidade sobre a governança de TI, o papel imprescindível do CIO é fazer com que sua própria compreenda essa responsabilidade. É incontável o número de empresas que ainda enfrentam problemas sobre governança porque suas próprias equipes não estão engajadas o suficiente para a questão. Posteriormente, querer explicar em “tecniquês” ao conselho diretor da empresa por que a governança de TI é responsabilidade dele é um tremendo erro. Da mesma maneira como sugeri na primeira dica, acho que ilustração com os casos práticos seria uma forma muito mais interessante – e convincente – de agir.

3-) Institua um framework para governança de TI – ok, até aqui nenhum problema. Uma sugestão a mais: antes de escolher, veja o que esse framework pode ou não fazer por você.

4-) Tenha um CIO com papel claro e autoridade – está certo que essa não deveria ser uma dica, mas uma prática comum entre as empresas a busca por um profissional desse tipo. Mas para não ser tão ranzinza, podemos dizer que tais atributos ajudam e muito. Mais do que o papel claro e a autoridade, porém, esse CIO precisa saber o que quer e o que pode obter com a governança de TI. Gestão de equipe também é fundamental.

5-) Crie um comitê diretor de TI – Alan Calder sugere aqui que uma ou mais pessoas da área de negócios participe das reuniões de tecnologia e compreenda como o departamento avalia situações e gerencia crises. Acredito que essa é uma das melhores dicas sobre o assunto.

6-) Elimine jargões das discussões tecnológicaspor mais bem intencionada que essa dica pareça, eu diria que 95% dos executivos de TI não colocam e nunca colocarão isso em prática. Não por má vontade, mas porque os vícios de linguagem se tornaram parte tão integrante do ambiente de tecnologia que deixar de usá-los seria quase o equivalente a reaprender a falar. Exagero? Não. Seria o equivalente a pedir para adolescentes tentar parar com as gírias. Como o convívio do departamento é praticamente exclusivo com profissionais da mesma área, para que substituir o que pode ser explicado por um jargão? A dica é desafiadora e traz uma “exigência” que muitos até agora se deram ao luxo de não cumprir. Não estranhe, então, se o conselho diretor achar que ITIL não é importante. Talvez os integrantes não tenham compreendido por que “essa solução vai agregar valor ao core business” da empresa… (Conheça também os casos em que mesmo profissionais de TI não agüentam mais os jargões).

(as dicas 7, 8 e 9 são úteis em sua essência e não demandam comentários mais profundos. Seguem…)

7-) Crie um comitê corporativo para infra-estrutura de TI
8- ) Realize auditorias profissionais em TI
9-) Use padrões de melhores práticas e garanta que elas estão propriamente integradas

10-) Enfatize todas as vezes que governança de TI está relacionada com a competitividade – Essa é boa. Mas só dizer isso não basta. Novamente mostrar exemplos práticos dessas vantagens competitivas pode ser muito mais explicativo do que despejar um punhado de palavras.

E você, concorda com as sugestões do Dr. Calder? Comente.

1 Resposta para “Governança de TI: exigindo o (quase) inexigível”


  1. 1 Renato Sona Gonçalves Maio 9, 2008 às 1:52 pm

    Concordo com os pontos levantados e o que podemos perceber é que muitas empresas, CIOS e colaboradores não sabem o que é a Governança de TI. É neste ponto que temos que ter atenção redobrada. A definição , o objetivo, o que se pretende alcançar e como chegar nestes objetivos tem que ser e estar muito bem definidos, difundidos, conscientizados e com pessoas e equipes capacitadas. Não é tão simples como parece e também não é somente escolhendo-se um modelo a ser seguido, tem que ser levado em consideração a cultura organizacional e fazer uma Gestão de Mudanças eficiente e eficaz para que todas as responsabilidades sejam determinadas e assumidas para o Programa.


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