Curso Master de ITIL em português. Isso é bom?

A consultoria IT Partners anunciou nesta semana seu primeiro curso intensivo para gerência de serviços em ITIL ministrado em português. As aulas começam em 7 de abril e as provas, também em português, acontecem nos dias 12 e 13 de junho. Vale lembrar, porém, que o curso de Master em ITIL aplicado pela IT Partners ainda diz respeito à versão 2.0. O exame de Master em ITIL da versão 3.0 ainda não está disponível nem em inglês. A previsão para o início desse exame é a partir do próximo ano.

No comunicado à imprensa divulgado pela IT Partners, o CEO da empresa, Cesar Monteiro, diz que a intenção da empresa é “ajudar a eliminar as barreiras existentes para a obtenção da certificação e facilitar o acesso dos profissionais a esse conhecimento”. De fato, a intenção é nobre e não há absolutamente a menor dúvida de que fazer um teste na língua nativa – especialmente para um apanhado de termos técnicos como acontece no ITIL – é infinitamente mais fácil do que precisar aderir ao inglês. Certeza também que o número de Masters tende a subir no País com relativa acessibilidade trazida pelo teste. No entanto, o que eu também me questiono é: um profissional de tecnologia que chega ao nível de Master em ITIL pode se dar ao luxo de não ter as habilidades suficientes para argumentar em inglês?

Se por um lado ter a prova em Português é uma vantagem significativa, por outro, isso não é motivo para desleixo por parte do profissional de TI. Pode parecer banal essa questão, mas de fato, pelo que ouço de várias empresas do ramo, ainda é muito complicado encontrar um profissional qualificado nas questões técnicas e que tenha também nível desejável de inglês. Certa vez ouvi um “prefiro contratar alguém que tenha inglês fluente para depois ensinar o SAP do que contratar um bom técnico sem inglês”. Não seria a hora de parar para pensar como reforçar de vez esse atributo?

PS 1: Para quem quiser melhorar alguns Só de cara sugiro dois sites gratuitos com exercícios para aprimorar o inglês: o ESL-LAB e o Learn English Online. Se o foco é TI, por que não tentar os sites do Computerworld, Infoworld e Networkworld lá fora?

PS2: Venho também aqui manifestar a infelicidade do programa EngliSoft. A proposta que teve como parceiras a Brasscom, o governo e uma editora, tinha a intenção de criar um certificado de inglês para medir a capacitação do funcionário de TI brasileiro. Criado em 2006 e consumindo cerca de 2,2 milhões de reais, o programa parece que não decolou. Inclusive parece estar meio abandonado – o link na página da Brasscom, por exemplo, leva para um endereço hospedado no site da Datasul que simplesmente não carrega. Tudo isso a parte, realmente considero a iniciativa tremendamente infeliz. Ele NÃO é reconhecido internacionalmente como acontece com o TOEFL, CAE, FCE, entre outros. Na prática, quem optar por fazê-lo – e ele não é dos mais baratos – precisará pagar novamente se precisar de um certificado internacional. Ter essa certificação não ajudará em nada para uma posição no exterior ou mesmo no Brasil, já que muitas empresas locais – inclusive sócias da Brasscom – acreditam que o projeto não foi bem estruturado. A iniciativa de criar um curso ou certificado de inglês voltado para a tecnologia é sem dúvida muito importante. O mercado carece imensamente de profissionais fluentes e, mais do que isso, de escolas que consigam dar uma base interessante e prática para o profissional de TI. Quanto ao Englisoft, propriamente, reservei este espaço para informar. Acho que é necessário que o candidato saiba dessas limitações de reconhecimento que foram pouco explicadas na ocasião do lançamento. Eu certamente não optaria por ter um certificado com escopo tão limitado de aceitação…

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