Depois do artigo da Business Spectator, que apontou a Sarbanes como uma das culpadas pela crise dos Estados Unidos, agora outra publicação resolveu atribuir os deslizes do mercado crédito à lei fiscal. Nesta semana, o jornal Financial Week apontou que os bancos foram vítimas da rigidez da seção 404 da lei e que certos aspectos deveriam ser de cumprimento voluntário.
Leia também:
Sarbanes: Alguém se habilita a comemorar?
Conforme destaca o artigo do repórter Nicholas Rummell, a proposta de dois republicanos da Carolina do Norte – senadores Elizabeth Dole e Walter Jones – é introduzir uma nova legislação que torna facultativas certas partes da Sarbox. No entanto, analistas de mercado dizem que a chance da proposta passar é pequena.
A senadora Elizabeth defende que devem ser voluntárias as seções 302 e 404 para os bancos, já que essas duas divisões sobrecarregaram as instituições financeiras e podem ter exacerbado a crise econômica mundial. A região da Carolina do Norte, que a senadora representa, é berço para vários dos grandes bancos norte-americanos, como Bank of America e Wachovia.
A proposta de criar adequações voluntárias já havia sido apresentada no ano passado pelo senador Walter Jones, mas a lei desfaleceu no comitê de serviços financeiros. Jones, entretanto, deve pedir nova apreciação sobre o texto.
“Para os bancos, essa (seção 404) tem sido uma das exigências mais caras porque envolve testes e documentações extensos”, relata a senadora. Já a seção 302 prevê que o CEO e o CFO da empresa certifiquem de próprio punho que os controles foram avaliados.
Rigidez da lei à parte, a verdade é que, novamente, os argumentos para tornar o cumprimento facultativo são superficiais e, ao mesmo tempo, interesseiros. Superficiais porque não mostram o quanto os bancos foram de fato comprometidos. Alguém conseguiu mostrar até agora alguma métrica que mostrasse esse prejuízo? São interesseiros também os argumentos porque incluem somente os bancos. Não se fala das pequenas empresas que estão oneradas ao extremo ou de outros setores da economia. Está claro que a essa proposta de lei está sendo apoiada pelos senadores que são porta-vozes óbvios das principais empresas de suas regiões, no caso os bancos. E alguém acredita que se algo difícil é facultativo, ele será cumprido de livre espontânea vontade? Digo que no mínimo, a proposta é rasa e recheada de más intenções…
0 Respostas para “Sarbanes voluntária. Você acredita?”