Wal-Mart e a coação sobre SOX

Uma matéria interessante foi publicada na semana passada pela CNN sobre um processo contra o Wal-Mart movido por uma funcionária que acusava a rede varejista não só de violar as regras da Sarbanes-Oxley, como também de obrigá-la a encobrir as fraudes.

Rita Milles, funcionária do departamento de relações do trabalho processou o Wal-Mart em 2006 sob alegação de ter sido assediada e de ter recebido notas baixas nas avaliações de desempenho porque se recusou a destruir documentos relativos às investigações de Tom Coughlin, ex-vice presidente acusado de fraude.

A executiva havia recebido ordens para destruir cópias de documentos relativos às investigações de Coughlin, condenado a prisão domiciliar depois de confessar certos crimes, entre eles, roubo de dinheiro.

O Wal-Mart afirmou que a companhia manteve cópias de todos os documentos exigidos pelo Departamento de Justiça no caso e fechou um acordo com Rita nessa semana.

Acredito que o episódio seja curioso por dois aspectos. Primeiro porque até mesmo uma empresa do porte do Wal-Mart, com faturamento anual acima dos 370 bilhões de dólares, ainda tenta burlar a SOX. Segundo – e principal preocupação – quantos funcionários em quantas companhias no mundo submetidas à lei não correm o risco de passar pela mesma situação de Rita Milles?

A SOX é bem clara em alguns aspectos. O CFO e o CEO precisam atestar de próprio punho que as informações fornecidas são verdadeiras. Mas quem colhe e quem registra, de fato, as informações sobre a empresa não são eles, certo? Então, quem garante que o que é atestado não é falso? Como diz o ditado, a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco – o caso do Wal-Mart foi uma gigante exceção especialmente porque a executiva resolveu abrir a boca.

Ah, mas as auditorias fazem um pente-fino nos números, argumentam muitos. Com certeza a rigidez das auditorias dificulta as fraudes, mas o exemplo do Wal-Mart mostra que é possível sim, para quem quer, mascarar as informações. Vale prestar atenção, então, a dois fatores: quantas outras empresas não estão fazendo a mesma coisa e ainda não foram descobertas? Quantos funcionários do mundo não são coagidos a encobrir sujeiras semelhantes? Vale parar para pensar. O caso do Wal-Mart pode ter sido a ponta do iceberg.

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